Nas encostas da serra
Terminamos a viagem em Encostas d’Aire. Os vinhos do concelho de Ourém gozam, pela história e qualidade, de denominação de origem controlada — e fazem parte de uma das mais antigas regiões produtoras de Portugal, a Região dos Vinhos de Lisboa. Há muito que se cultiva a videira nesta extensa área entre o litoral e o maciço calcário estremenho, em especial na serra de Aire.
É nas suas encostas — outrora habitadas por visigodos, romanos e árabes —, de clima temperado e solo heterogéneo, que se reúnem as condições para vinhos do mais alto gabarito.
Os tintos têm cor aberta, são ligeiros e equilibrados, com uma adstringência que se esbate com o envelhecimento; os brancos são de cor amarelo-citrino, frutados, aromáticos e persistentes. E se a muralha da serra de Aire dita as regras da natureza, são as castas — Malvasia, Arinto e Fernão Pires, ou Castelão e Baga — que ditam as leis do bom vinho. Por aqui conhecemos a Quinta dos Capuchos e a Quinta do Montalto.
A Denominação
A cultura da vinha nas encostas e vales desta paisagem verdejante é legado secular de ordens religiosas detentoras do saber do vinho. O conhecimento acumulado ao longo de oito séculos é preservado pelos produtores da Encostas d’Aire que, em 2005, é reconhecida como denominação de origem, constituída pelas sub-regiões de Alcobaça e Ourém.
O nome, a nordeste da Lourinhã e a delimitar a norte a Região dos Vinhos de Lisboa, inspira-se nas Serras de Aire e Candeeiros, do complexo Montejunto-Estrela.
A heterogeneidade dos solos confere perfis vínicos diversos, que coabitam com os pomares: de Alcobaça, com notas de salinidade e frescura, a Ourém, onde o ancestral Vinho Medieval de Ourém se faz como manda a cartilha de Cister — 80% da branca Fernão Pires e 20% da tinta Trincadeira —, sem esquecer a parte central, onde se produzem vinhos que vale a pena conhecer.