Reza a lenda que a Real Abadia de Santa Maria de Alcobaça decorre de uma promessa feita por D. Afonso Henriques em 1147. No cumprimento desse compromisso, o primeiro rei de Portugal consagra à Ordem de Cister, através de São Bernardo de Claraval, a fundação desta casa de culto numa extensão de quatrocentos e quarenta hectares entre a Serra dos Candeeiros e o Atlântico. Construído num vale fértil e rico em linhas de água, junto à confluência dos rios Alcoa e Baça, o mosteiro ergue-se em simultâneo com a plantação de vinha, feita a partir das varas trazidas pelos monges cistercienses da Borgonha. O saber empírico ligado à produção do vinho — a leitura dos solos e do clima — desenvolve-se em terras de Alcobaça, e a sua importância comprova-se nas mais de duas dezenas de lagares e dezoito adegas existentes, no século XVIII, nos coutos da abadia. O próprio vinho, imortalizado em narrativas de ilustres viajantes como o inglês William Beckford, era guardado na adega do mosteiro.
Considerado a primeira obra de arquitetura gótica em território nacional, o Mosteiro de Alcobaça é agraciado pela sua enorme igreja em forma de cruz latina, ponto de partida do roteiro por este panteão régio ligado à perpetuação do amor proibido entre o príncipe herdeiro D. Pedro e D. Inês, dama de companhia da rainha D. Leonor, e classificado pela UNESCO como Património da Humanidade em 1989. O roteiro termina no Mosteiro de Santa Maria de Coz, a cerca de dez quilômetros, habitado entre os séculos XIII e XIX por religiosas cistercienses: a igreja reflete o barroco nos caixotões de madeira do teto, nos painéis de azulejos, no cadeiral das monjas e na porta de traço manuelino, rematada pela talha dourada dos altares e por "O Purgatório", quadro de Josefa de Óbidos, sem esquecer os azulejos da sacristia, que retratam episódios da vida de São Bernardo de Claraval.





