A vinha é o objeto maior quando um grupo de viticultores decide fundar, em 1959, a Adega Cooperativa da Batalha, tendo Afonso Maria Coelho Pereira como primeiro presidente. Com o edifício construído logo no início dos anos 1960, a cooperativa acompanha quatro décadas de produção crescente, alimentada pelos mil e quinhentos pequenos produtores do concelho ativos na década de 1980. O incremento obriga à ampliação das instalações e à construção de balões de cimento, e é também neste período que surge a Denominação de Origem Encostas d’Aire, na qual a adega se insere, estreando a comercialização dos seus vinhos além-fronteiras.
A construção de um novo edifício nos anos 1990, dentro do perímetro da adega, responde ao aumento da entrega de uva e à apresentação do primeiro D.O. Encostas d’Aire — uma remodelação determinante também sob o ponto de vista tecnológico, para acompanhar as exigências do sector.
A gradual diminuição do número de associados leva a cooperativa a elevar a fasquia da qualidade. Daí a importância dada às vinhas antigas, com particular incidência na Baga, mais conhecida como Carrasquenha, casta tinta muito comum em Encostas d’Aire. A sua vinificação dá corpo, em 2000, ao Real Batalha — reflexo do potencial do terroir e do reconhecido trabalho de enologia de António Ventura, a quem se junta Sílvia Pereira em 2007. Seguem-se a renovação dos rótulos e a valorização do produto, do Real Batalha (Baga e Syrah) ao Batalha Real, elaborado em homenagem à Batalha de Aljubarrota, ou ainda ao Real Batalha apresentado em 2019, nos sessenta anos da casa — pequenas coleções dirigidas a um nicho de mercado muito restrito.
“A Baga, também conhecida por Carrasquenho, aparece aqui na primeira metade do século XX. Hoje, as cepas mais antigas da região são desta casta.” — Joaquim Marques Matos




