As raízes da Quinta dos Capuchos, projeto vinhateiro familiar recuperado por José António Gomes Pereira, mergulham no legado cisterciense da região. Localizada no sopé da Serra de Candeeiros, a propriedade reúne a antiga adega e o edifício contíguo, junto à Vinha de Santa Teresa. A sua história funde-se com o plantio de vinha deixado pelos frades do Convento dos Capuchos, ou Convento de Santa Maria Madalena — origem do nome da quinta, adquirida em 1925 por Matias Canha, bisavô do atual produtor. Oito décadas depois, em 2015, abre-se a nova adega, adjacente à antiga (datada de 1918), onde se preserva o primeiro lagar, construído em 1933; no edifício moderno ficam a cave, o espaço de eventos e a loja de vinhos.
Este é um projeto familiar focado na recuperação da vinha em Alcobaça. A área total abrange treze hectares em cinco parcelas: a mais antiga, a Vinha do Chafariz, outrora do bisavô; a Vinha de Santa Thereza, na própria quinta; a Vinha da Silveira; a pequena Vinha da Cabeça do Coelho; e a arrendada Vinha da Raposa. Todas se situam no vale do rio Alcoa, zona de transição para as Serras de Aire e Candeeiros.
Os solos argilosos de calcário, muito pedregosos, e uma amplitude térmica estival de dias quentes e noites frias são determinantes na maturação das uvas. Este terroir confere boa acidez — qualidade que favorece a frescura e a capacidade de envelhecimento dos brancos e tintos da casa. O trabalho de reabilitação merece ser provado à mesa, na companhia dos petiscos do próprio José António Gomes Pereira e dos jantares vínicos servidos a preceito nesta adega que é palco de uma história a redescobrir.
“Com as temperaturas elevadas durante o dia e muito baixas durante a noite, com orvalho, acabamos por ter temperaturas médias de maturação relativamente baixas, o que faz com que os vinhos brancos e tintos tenham acidez fixa muito elevada — extraordinário para manter a frescura e a capacidade de envelhecimento.” — José António Gomes Pereira




