Não é exagero considerar a Praia do Norte o Everest do surfe. Em vários aspetos é possível traçar paralelos entre as mais altas ondas do planeta e o teto do mundo. Desde que o havaiano Garrett McNamara estabeleceu o recorde mundial para a maior onda surfada, em 2011 — recorde batido pelo brasileiro Rodrigo Koxa em 2018 —, a Nazaré tornou-se o derradeiro objetivo de todos os caçadores de ondas gigantes durante os meses de inverno no hemisfério norte.
Na origem deste fenômeno está o canhão da Nazaré, um enorme vale submarino com 227 quilômetros de extensão e profundidade máxima de cinco quilômetros, que se prolonga até poucos metros da orla, convergindo e potenciando o tamanho das ondulações até triplicar o registado noutros pontos da costa. Nos maiores dias, a única forma de os surfistas apanharem as ondas é a reboque de potentes motas de água, modalidade conhecida como tow-in surfing. Junte-se a isso a exposição da vila aos sistemas de baixa pressão do Atlântico Norte e percebe-se por que, ano após ano, intrépidos aventureiros são seduzidos pelos sonhos de conquista e celebridade instantânea que a onda certa, no dia certo, pode proporcionar.





