Terra de brancos frescos
Seguimos viagem até Torres Vedras, o segundo destino da nossa descoberta pela Região de Lisboa. Este município da região Oeste é um dos maiores produtores de vinho de todo o país.
Os vinhos que aqui nascem distinguem-se pelos aromas muito frutados, pela excelente acidez e por uma notável capacidade de envelhecimento. São verdadeiros néctares, e a sua fama explica-se pela frescura da influência atlântica e pela diversidade do clima, dos solos e das castas.
Mas não se trata apenas de uma terra de vinhas e vinhos: há muito património histórico-cultural para descobrir entre uma prova e outra — razão de sobra para abrandar o passo.
Por cá visitámos a Adega Mãe e a Quinta da Boa Esperança.
A Denominação
Do lado poente da Serra de Montejunto, encostas e vales torneiam a paisagem serpenteante de vinhedos da DOP Torres Vedras. Outrora palco das invasões francesas — parte dos vestígios compõem as célebres Linhas de Torres —, a serra forma uma barreira natural à brisa marítima, que cresce em direção à costa e gera as brumas típicas da região, com o rocio da manhã a pousar gotas de água nas folhas das videiras.
O mesmo vento que traz ar fresco e humidade do mar dissipa-os nas tardes soalheiras, protegendo as plantas e convidando ao mergulho nas praias e enseadas da costa. Os atributos deste terroir foram exaltados pelas tropas inglesas de Arthur Wellesley, o general Wellington, ele próprio grande apreciador; e As Aventuras do Brigadeiro Gerard, de Sir Arthur Conan Doyle (1903), descrevem primorosamente este território.
Os tintos aromáticos mostram taninos na conta certa, marca da sua personalidade, enquanto os brancos se reconhecem pelo perfil fresco e aromático. Ambos partilham a salinidade das uvas vindimadas junto à costa atlântica, banhada por ondas de reconhecido sucesso além-fronteiras.