A Região · do livro oficial

O Terroir

Do Atlântico às serras: a topografia, o clima, os solos e o vento que moldam cada casta da Região de Lisboa.

O terroir

Aquilo que molda o vinho

A Região Demarcada dos Vinhos de Lisboa abrange um território de condições edafoclimáticas bem definidas, comprovadas pelos seis mapas que a descrevem: topografia, influência atlântica, continentalidade, temperatura, pluviosidade, solos e vento. É da conjugação de todos esses fatores naturais que nasce um terroir único — em si muito diverso, e ainda assim muito distinto das demais regiões vinhateiras portuguesas, conferindo características de exceção aos vinhos aqui produzidos.

Todo o clima é fortemente marcado pela cordilheira que percorre a região no sentido norte-sul — Serra de Aire e Candeeiros, Serra do Montejunto, Serra do Socorro e da Archeira e Serra de Sintra —, num desenho de relevos e vales profundamente dominado pela brisa marítima do oceano Atlântico. Esse atributo esbate-se à medida que se avança para o interior, sobretudo a nascente da Serra de Montejunto, onde há mais horas de sol, temperaturas mais altas e menor humidade do ar, embora a sua presença nunca desapareça por completo. Os ventos atlânticos são, aliás, uma assinatura da região: a sua intensidade na primavera e no verão — em pleno ciclo vegetativo da videira — dissemina humidade e salinidade pelos vinhedos, e é daí que vêm vinhos frescos, com uma salinidade fora de série.

O solo conta a sua própria história. Lisboa concentra a maior mancha de solos alcalinos do país, sobretudo argilocalcários de fertilidade média a elevada, com boa capacidade de troca catiónica e grande retenção de água — decisiva para alimentar a vinha no estio e garantir uma boa maturação. Junto ao mar, nas zonas dunares, os solos são mais arenosos e profundos, com subsolo de argila que assegura água e nutrientes; para norte e nas encostas serranas tornam-se mais pedregosos, menos fundos e menos férteis; e, perto dos rios e das várzeas, são de aluvião, profundos e muito generosos. A temperatura amena, comum a quase todo o território, e a pluviosidade mais marcada nas zonas serranas completam o retrato deste mosaico raro.

Os fatores

Seis forças, um território

Seis mapas oficiais. Clique num mapa para o abrir em grande — e mova o rato sobre ele para ampliar.

Mapa do terroir — Influência atlântica
01

Influência atlântica

Atlântico → Continental

A proximidade do oceano e as brisas salgadas imprimem frescura e mineralidade aos vinhos. O efeito atenua-se para o interior, a nascente da Serra de Montejunto, onde o sol é mais forte e o ar mais seco.

Mapa do terroir — Temperatura
02

Temperatura

Médias anuais

Tardes ensolaradas e noites frescas favorecem uma maturação gradual e equilibrada. A amplitude térmica preserva a acidez e os aromas, sobretudo nos brancos da região.

Mapa do terroir — Topografia
03

Topografia

Altitude · serras e vales

Relevo ondulado de mil encostas e exposições solares, onde cada parcela responde de forma única. A cordilheira norte-sul — Aire e Candeeiros, Montejunto, Socorro e Sintra — molda toda a paisagem vinhateira.

Mapa do terroir — Pluviosidade
04

Pluviosidade

Médias anuais

A chuva atlântica define os ciclos da vinha e a humidade que as castas aprenderam a aproveitar. Os níveis são mais significativos nas zonas serranas, decisivos para a boa maturação das uvas.

Mapa do terroir — Solos
05

Solos

Tipologia dos solos

Dos argilocalcários ricos em sedimentos marinhos às areias de Colares, resistentes à filoxera. A maior mancha de solos alcalinos do país, com boa retenção de água — aporte essencial às videiras no verão.

Mapa do terroir — Vento
06

Vento

Intensidade dominante

A nortada molda a região e premeia castas resilientes, como a Vital. Os ventos atlânticos, fortes na primavera e no verão, disseminam humidade e salinidade pelos vinhedos — a marca de vinhos frescos e salinos.