Arinto
É na Região Demarcada dos Vinhos de Lisboa que se encontra a maior variabilidade genética da casta Arinto, o que indicia ser aqui o seu solar de origem, provavelmente na Região Demarcada de Bucelas. Considerada por muitos a rainha das castas brancas de Lisboa, dá origem a vinhos e espumantes de grande qualidade que exprimem muito bem o terroir de onde vêm.
É uma casta vigorosa, mas de produção baixa: dá poucos cachos grandes por cepa e de bago miúdo, melhorando com poda longa. Adapta-se facilmente a todos os terrenos, embora seja exigente face à humidade; como revela alguma sensibilidade à podridão, uma vindima mais tardia pode agudizar este problema. Nas encostas arejadas e com boa exposição solar, a Arinto atinge facilmente um teor alcoólico superior a doze graus e uma excelente acidez — e é justamente neste equilíbrio entre álcool, acidez e aromas intensamente frutados, onde se destacam os frutos citrinos e outros frutos de caroço, que reside a razão de os seus vinhos serem tão apreciados.
Na prova, os vinhos feitos a partir de Arinto são muito frescos e apresentam uma acidez natural elevada, com aromas delicados que evoluem para os frutos secos e as especiarias. É das castas brancas portuguesas com matriz enológica mais apreciada e revela um grande potencial de envelhecimento em garrafa, denotando características de evolução requintadas, muitas vezes por mais de uma década.