Dizem que D. Afonso Henriques se preparava para reconquistar o Castelo de Leiria quando dois corvos alvoraçados pareciam aconselhar o primeiro rei de Portugal a invadir a fortaleza na manhã seguinte. Ao amanhecer, "o Conquistador" preparou a ofensiva e retomou o castelo com a ajuda dos seus homens — eis a lenda associada ao edifício erguido sobre o morro da cidade atravessada pelo rio Lis. Mandado construir em 1135 e marcado pelo estilo românico, o castelo reúne traços de relevo, como a torre de menagem em estilo gótico, iniciada no tempo de D. Dinis e concluída com D. Afonso IV — o mesmo D. Dinis responsável pela Igreja de Nossa Senhora da Pena, ampliada e enriquecida no reinado seguinte.
Detentora de uma vista única sobre a envolvente urbana e rural, a torre de menagem acolhe hoje o Núcleo Museológico da Torre de Menagem, espaço interativo sobre Leiria e o seu papel na história do país. O paço real, por sua vez, beneficia do embelezamento da loggia de oito arcos, recuperada em finais do século XIX pelo arquiteto suíço Ernesto Korrodi. Já no início da segunda década do século XXI, nova reabilitação incidiu no estudo de vestígios arqueológicos e na criação de infraestruturas para os visitantes, sem desvirtuar a imponência histórica de um lugar outrora explorado por povos longínquos na cronologia do país.





