O antigo Casal do Montalto remonta a 1880, quando Mariano Gomes Pereira Baptista reúne parcelas de terra por compra e herança paterna. A linha sucessória atravessa quatro gerações dedicadas à agropecuária, mas a viticultura e o Vinho Medieval de Ourém permanecem no ADN da secular Quinta do Montalto, como entretanto ficou conhecida.
Já no século XXI entra em cena André Gomes Pereira, engenheiro florestal pelo ISA de Lisboa e quinta geração do negócio familiar. Após a vindima de 2000, o trineto do fundador decide aprofundar o conhecimento em enologia e viticultura. Defensor acérrimo do legado vitivinícola dos monges cistercienses, planta em 2004 cerca de um hectare com Fernão Pires (branca) e Trincadeira (tinta), as únicas castas permitidas no lote do Vinho Medieval de Ourém, e sem aramar as videiras, como manda a tradição. Contígua à vinha está a adega de traça antiga, recuperada na altura.
A feitura do Vinho Medieval segue um ritual ancestral. Vindimada à mão, a Fernão Pires entra pela janela da adega diretamente para o lagar de pedra, onde é prensada; o mosto escorre pela bica, coado num cesto de vime, e enche oitenta por cento dos barris de madeira, iniciando a fermentação espontânea. No dia seguinte vindima-se a Trincadeira, esmagada na ciranda — para gáudio dos mais novos —, e durante a fermentação o rodo afunda as películas várias vezes ao dia. Por fim, o mosto da Trincadeira junta-se ao da Fernão Pires, perfazendo os restantes vinte por cento. Provado antes do Dia de São Martinho e transferido para inox, o vinho é engarrafado entre janeiro e fevereiro, rumo sobretudo ao mercado externo.
A vinha, em modo biológico desde 1997, soma hoje vinte e quatro hectares, nove dos quais plantados em 2019. As infraestruturas, readaptadas em 2005, contam com tecnologia de ponta e caves para os espumantes, onde o produtor prossegue as suas experiências vínicas.
“A Quinta do Montalto tem mantido a consistência na produção do Vinho Medieval de Ourém, mas também têm aparecido pessoas de fora da região a quererem produzir este vinho.” — André Gomes Pereira




