Gastronomia · Região de Lisboa

9 vinhos, 9 chefs

A cada Denominação de Origem, um vinho; a cada vinho, um chef e o desafio de criar um prato à sua altura — com os produtos da terra e do mar, da serra ao Atlântico.

Provado o vinho, anotam-se os aromas e as características; segue-se o tempo necessário à imaginação, para coordenar alimentos, texturas e sabores na harmonização. A matéria-prima vem do reino hortícola e frutícola da Região de Lisboa e do que o mar oferece. Nove pratos, nove histórias à mesa — com prefácio do gastrónomo José Bento dos Santos.

Prato do chef João Rodrigues: Maçã de Alcobaça, canelé de barbela, Villa Oeiras, mel e nozes
D.O. Carcavelos
Chef João Rodrigues

João Rodrigues

Maçã de Alcobaça, canelé de barbela, Villa Oeiras, mel e nozes

Um vinho tão especial como este D.O. Carcavelos, cheio de força, elegância, estrutura, uma acidez incrível e doçura equilibrada, fez-me viajar até aos pomares de maçãs. Complementei esta sobremesa com mais produtos da região, numa ode aos dias frios, quando apetece mais conforto.
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Prato do chef Pedro Mendes: Lombinho de borrego, pó de trufa e legumes saloios
D.O. Colares
Chef Pedro Mendes

Pedro Mendes

Lombinho de borrego, pó de trufa e legumes saloios

Este prato foi escolhido para um vinho D.O. Colares excecional, intenso e simultaneamente delicado. A carne acompanha-o na profundidade e, ao mesmo tempo, o sabor da trufa provoca uma reação que eleva ainda mais a personalidade do vinho. Naturalmente, o vinho “pedia” uma carne vermelha, mas a escolha desta receita não podia fugir àquela que é a região-horta de Lisboa, chamada de região saloia, que produz grande parte dos legumes consumidos na capital.
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Prato do chef Tiago Velez: Carabineiro da Mia
D.O. Bucelas
Chef Tiago Velez

Tiago Velez

Carabineiro da Mia

Este vinho branco D.O. Bucelas da colheita de 2017 possui notas de oxidação moderada, fruta cítrica, acidez alta, com flor branca e mel, e a presença de alguma madeira, características reveladoras de boa capacidade de envelhecimento em garrafa. A escolha do carabineiro para acompanhar este vinho deu-se pelo requinte da sua textura e complexidade do seu sabor. Sendo um marisco de mar e tão rico, apenas confecionado em azeite, alho e coentros e um leve toque de manteiga, vai harmonizar em pleno com este vinho a ser decantado antes de servir.
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Prato do chef João Simões: Faisão na frigideira com “tarte” de cogumelos, foie gras e legumes da horta
D.O. Arruda
Chef João Simões

João Simões

Faisão na frigideira com “tarte” de cogumelos, foie gras e legumes da horta

Ao experimentar este vinho tinto D.O. Arruda pela primeira vez, apeteceu-me bebê-lo sentado à mesa, em família, com o aconchego da lareira e acompanhado de produtos da época e da região. Escolhi o faisão com a “tarte”, pois a sua intensidade, as suas notas de fruta e tostados, a sua cor robusta, a acidez e os taninos equilibrados determinaram a escolha de aves de caça, com gordura extra, reduções e legumes da época para equilibrar.
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Prato do chef José Avillez: Robalo com escamas de abóbora, amêijoa, lingueirão e dashi
D.O. Alenquer
Chef José Avillez

José Avillez

Robalo com escamas de abóbora, amêijoa, lingueirão e dashi

O branco D.O. Alenquer da colheita de 2017 denota aromas a fruta madura, citrinos, fruta de caroço branco e melão, flores secas e ervas secas, mas cheio de frescura dada pelo ar do mar que atinge esta região. Apresenta um final de boca persistente e levemente salino, que combina com as texturas deste prato.
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Prato do chef Miguel Laffan: Caril de lagostins braseados no carvão, chutney de líchias
D.O. Torres Vedras
Chef Miguel Laffan

Miguel Laffan

Caril de lagostins braseados no carvão, chutney de líchias

Esta receita é uma homenagem a este vinho branco D.O. Torres Vedras e tem como fundamento a sua estrutura de carácter melosa, de especiarias escondidas, de aroma suave, a lembrar petróleo, com o seu exotismo encantador. A guardar na memória, o caril guloso servido com um dos melhores mariscos da região, o lagostim, levemente braseado a carvão no ponto de fumo certo, com este chutney de líchias e malaguetas.
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Prato do chef António Alexandre: Xis-O, um rol de aromas e texturas
Aguardente D.O. Lourinhã
Chef António Alexandre

António Alexandre

Xis-O, um rol de aromas e texturas

Provar esta aguardente D.O. Lourinhã inspirou-me a viajar pela região. Para esta sobremesa, procurei harmonizações que me ajudassem a construir um prato composto pelo máximo de produtos sazonais da região e que me transportassem para a paisagem que me habituei a valorizar desde criança.
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Prato do chef Sancho Esteves: Wellington de cabrito com texturas de pera Rocha e legumes baby
D.O. Óbidos
Chef Sancho Esteves

Sancho Esteves

Wellington de cabrito com texturas de pera Rocha e legumes baby

Este vinho tinto D.O. Óbidos tem notas intensas a especiarias, folha de louro e algumas notas de madeira. Todos estes apontamentos no nariz, aliados ao fumado da madeira, transportam-me para os dias de final de outono e início de inverno, quando o cheiro da lareira acesa das nossas casas rima com um prato que nos deixa felizes e reconfortados. Não podia deixar de pensar no cabrito serrano da aba da Serra do Montejunto. Até chegar à receita final, é pura inspiração e gosto pessoal transportados para este prato.
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Prato do chef Paulo Morais: Niguiri de robalo e sardinha, gunkan de ostra e Vinho Medieval de Ourém
Vinho Medieval de Ourém
Chef Paulo Morais

Paulo Morais

Niguiri de robalo e sardinha, gunkan de ostra e Vinho Medieval de Ourém

Este vinho da D.O. da sub-região de Ourém reforça o contraste das suas notas de acidez com a gordura e a doçura do fígado de tamboril, e com a gordura da sardinha e a doçura dos pickles. A ostra dá o seu toque de salinidade em consonância com a mineralidade do vinho, e a sua acidez combina com a do yuzu.
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