O vinho de missa no século I
A missa foi instituída por Jesus na quinta-feira que antecedeu a sua prisão, condenação e morte na cruz — tudo isto, tecnicamente, no ano 33 do século I da era cristã. Ao reunir-se com os discípulos, Jesus quis ter com eles uma última refeição, a que chamamos “última ceia”, na qual, depois de lhes lavar os pés um a um, mandou servir comida e vinho. Jerusalém estava então ocupada pelos romanos, que bebiam o vinho sempre “cortado” com água — talvez pelo grau elevado, talvez pelo sabor. É natural, portanto, que Jesus tenha adicionado um pouco de água ao vinho antes de o servir. Esse gesto repete-se desde então: ainda hoje se acrescenta água ao vinho de missa, e essa água representa-nos a nós, a Humanidade, a “gota de água” que se junta ao sangue de Cristo.
O vinho de altar é feito de maneira especial, segundo as normas da Santa Sé, sempre a partir de uvas frescas e de fermentação natural. Até aos anos sessenta do século passado, os cristãos jejuavam desde a meia-noite para poder comungar, e os padres celebravam várias missas pela manhã; por isso, o vinho de missa passou a ser licoroso, com um pouco de aguardente vínica e açúcar de uva, tornando-se mais doce e reconfortante.
Sempre que a Igreja encomendava vinho, queria o da melhor qualidade. Transportavam-no em barricas de quinhentos litros, sem marca: apenas a palavra Cristo, em grego, era permitida para identificar a mercadoria. Ora, em grego, Cristo escreve-se com caracteres que nós, latinos, lemos como XPTO. O povo via passar essas barricas e sabia tratar-se de produto da melhor qualidade — e é por isso que, ainda hoje, dizemos que algo é “xis-pê-tê-ó” quando é de excelência.
Em grego, Cristo escreve-se com caracteres que lemos como XPTO — e daí vem o nosso “xis-pê-tê-ó” para tudo o que é de excelência.