São Mamede da Ventosa, inserida numa área vitícola altamente produtiva, foi escolhida para acolher uma delegação da Junta Nacional do Vinho, cujo edifício abriu em 1956. O potencial da zona moveu os regentes agrícolas José Lucas de Carvalho e Alfredo Trigueiros Brandão que, depois de auscultarem os viticultores, instituíram em ata, em 1953, a comissão instaladora que viria a fundar, em 1956, a Adega Cooperativa de São Mamede da Ventosa — com quarenta e oito sócios e Óscar Manuel de Castro como primeiro presidente.
O crescimento da produção levou à compra de uma propriedade, na década de 1960, para a receção e vinificação da uva; as novas instalações estrearam-se em 1967. O vinho destinava-se sobretudo a Angola e Moçambique e, com a entrada no mercado britânico, a exportação alargou-se a outros países do norte da Europa. Na década de 1990, cerca de noventa e cinco por cento da região estava inscrita na cooperativa, que apostou no Programa Vitis para renovar mais de sessenta e cinco por cento do encepamento, reforçando depois, em 2015, a plantação de castas tintas.
“Houve uma altura em que tivemos cerca de setenta e cinco por cento de castas brancas, mas, entretanto, inverteu-se esta tendência, porque o mercado em que estávamos consumia mais tintos do que brancos. Por isso, aproveitámos os apoios para a restruturação das vinhas, fizemos a mudança do encepamento e apostámos mais nas castas portuguesas do que nas internacionais.” — Luís Santos, presidente da Adega Cooperativa de São Mamede da Ventosa
Hoje a cooperativa reúne associados de várias freguesias de Torres Vedras, com vinhas a poente da Serra de Montejunto, e produz vinte milhões de litros anuais — 17,5 dos quais de tinto. Oito milhões nascem nas antigas instalações da Junta Nacional do Vinho, adquiridas em 2012 e equipadas com tecnologia de ponta para as gamas especiais, sob supervisão do enólogo Rui Vieira. Com cerca de três dezenas de marcas, a casa renovou a imagem e a identidade dos seus vinhos em 2021.





