Natural de Caraguatatuba, no litoral norte do estado de São Paulo, André Manz atravessa o Atlântico em 1988 para ser guarda-redes no Estoril. O destino dar-lhe-ia outro rumo: anos mais tarde, ao visitar Cheleiros para instalar a sede da sua escola de formação na área do fitness, deixa-se conquistar pela história deste lugar sereno. Com casario modesto e quintais minúsculos ocupados por pequenas vinhas dispersas pelas encostas, Cheleiros guarda mais de quarenta lagares — afinal, raro era o habitante que, em tempos idos, não produzisse vinho, fosse para consumo próprio, fosse para o rei.
Em 2004, André Manz compra uma propriedade com uma vinha exígua e começa a fazer vinho para amigos e família. No meio da casta tinta Castelão, descobre cerca de duas centenas de pés de uma branca de designação inconclusiva. A identificação certa cabe ao engenheiro José Eduardo Eiras Dias, investigador da Estação Agronómica Nacional: chama-se Jampal e é portuguesa. É o ponto de partida para explorar a variedade até ao limite — três anos bastaram para plantar vinha e, mais tarde, lançar o único vinho monovarietal de Jampal do mundo.
O passo seguinte é a compra, em 2010, da antiga escola primária no largo da Praça de Cheleiros, recuperada e convertida na adega da ManzWine, mais conhecida por Lugar do Vinho. As cubas de inox e o grosso do equipamento ocupam o pátio que fora a horta do professor, cuja residência se confundia com a escola. O antigo lagar de pedra, do lado oposto, é adquirido dois anos depois e transformado em loja, no piso térreo, e em núcleo museológico, no piso superior. O aumento da produção justifica, em 2018, um centro de vinificação construído de raiz, que recebe as castas de uma vintena de hectares de solos de barro espalhados por Cheleiros, Carvalhal e Igreja Nova; os vinhos envelhecem em barrica de carvalho francês e americano. A ponte romana, logótipo do produtor a par de um copo de vinho, é outro lugar a conhecer.
“A 30 minutos da capital, o nosso valor máximo é a qualidade ao proporcionar aos amantes do vinho e do enoturismo uma experiência única.” — André Manz





