A Quinta de Sant’Ana guarda, do ano de 1633, o registo da construção da capela barroca, com uma singular coleção azulejar dos séculos XVII e XVIII. O amarelo-ocre domina o casario, a pequena capela de torre sineira e os muros que, envoltos nos verdes vigorosos da natureza, compõem um cenário bucólico de jardins coloridos, pomares e vinha. Muitas páginas se escreveram sobre esta quinta até 1969, ano em que é adquirida pelo barão Gustav von Fürstenberg; com a Revolução de Abril de 1974, a família regressa à Alemanha e a propriedade fica, durante anos, nas mãos de Joaquim do Val Morais, que viria a ser presidente da câmara de Mafra.
É com a chegada de James, inglês, e Ann Frost, alemã, em outubro de 1992, que a Quinta de Sant’Ana ganha nova vida. O casal envereda pela feitura do vinho, levada a sério a partir de 1999 com a replantação de 2,4 hectares. Cinco anos depois entra em cena António Maçanita: o então jovem enólogo marca a viragem no trabalho de campo e na adega. A vinha cresce gradualmente até aos dez hectares e meio em 2009, em 2013 acolhe novas castas e em 2018 inicia oficialmente o modo biológico. Hoje são onze hectares de solo argilocalcário, onde, curiosamente, está plantada a casta Ramisco, com vindima feita à mão por toda a família.
Aos desafios da vinha aliam-se a traça antiga da adega — onde os balseiros de madeira se cruzam com a tecnologia atual — e uma forte vertente de enoturismo. Marcado por fileiras com exposição a norte e a sul, vales serpenteantes e encostas convidativas, o vinhedo é “despertado” pelas manhãs frescas, pelo nevoeiro matinal e pela influência diária do Atlântico. A visita pode ser feita pelos hóspedes de uma das cinco casas de alojamento local, que podem pedir caixas de produtos da horta e comprar mel da propriedade — a apicultura é outra das paixões do co-proprietário. Acrescem as flores cultivadas pelo jardineiro e as ovelhas da raça Suffolk que pastam livremente, num lugar onde James e Ann Frost e os seus sete filhos vivem em comunhão.
“O meu objetivo é chegar aos 15 hectares e plantar mais castas brancas por causa do terroir da Quinta de Sant’Ana, por isso, iremos ter mais vinhos brancos.” — James Frost





