A Adega Cooperativa de Dois Portos foi fundada a 24 de fevereiro de 1960 por agricultores da região, confrontados com a dificuldade de escoar o seu vinho, e começou a laborar quatro anos depois. A produção e o número de sócios cresceram a par: na década de 1980, época de plena exploração da vinha, contava já cerca de oitocentos associados.
A viragem qualitativa chegou com o Programa Vitis, em 2000, que apoiou a reconversão e reestruturação da vinha e permitiu plantar castas mais adaptadas às exigências dos mercados nacional e internacional, melhorando tanto os monovarietais como os vinhos de lote. Os vinhedos beneficiam de um terroir singular: cerca de quinhentos e cinquenta hectares dispostos num vale, no centro das serras de Montejunto, do Socorro e da Archeira, cujo microclima — de temperaturas médias mais baixas e invernos frios — favorece maturações mais moderadas.
Hoje, os cerca de duzentos sócios beneficiam do acompanhamento vitícola da Associação de Agricultores de Torres Vedras, em parceria com a cooperativa, num esforço para fomentar o chamado “espírito de quinta” e elevar a fasquia da matéria-prima. As uvas de eleição são encaminhadas para a marca premium Monte Judeu, um verdadeiro baú de experiências de vinhos varietais e monovarietais, que revela a elasticidade de cada casta pela mão da enóloga Alexandra Mendes, conhecedora desta casa desde 1996.
“Não é uma adega que pretende produzir vinhos. É uma adega que pretende produzir bons vinhos.” — Luís Fernandes





