O Carnaval de Torres Vedras passa de uma comemoração espontânea, referenciada pela primeira vez em 1574, a festa organizada de rua em 1923, ano de estreia do rei do Carnaval; a rainha surge em 1924, sendo ambos homens — tradição sine qua non. O desafio à ordem social persiste na mesma década, com o aparecimento das matrafonas, homens que recorrem ao guarda-roupa feminino. A partir da década de 1980, o "carnaval mais português de Portugal" é assinalado com ousadia e recebe anualmente cerca de meio milhão de foliões, enquanto os carros alegóricos desfilam a sátira política e social pelas ruas. A folia toma conta da cidade de sexta a quarta-feira, com o ponto alto no Domingo Gordo, e termina com o enterro do Entrudo.
Fundada por D. Dinis, a feira torriense recebe a designação de Feira de São Pedro a 16 de agosto de 1521, quando D. Manuel I a transfere de Dois Portos para a então vila de Torres Vedras, que ganha projeção em finais do século XIX graças à ligação ferroviária a Lisboa. Com o tempo, a secular Feira de São Pedro, instalada numa área de cerca de quatro hectares, torna-se a maior mostra agroindustrial e comercial da região: ao longo de onze dias reúne mais de duas centenas de expositores e mais de trezentas e cinquenta empresas, entre pavilhões, espaço ao ar livre, artesanato, restauração e animação noturna. Ponto de encontro obrigatório é o "Vinho nas Linhas", iniciado em 2016 e centrado na degustação de algumas das melhores referências da Região de Lisboa, despertando os visitantes para a descoberta do território através da Rota Histórica das Linhas de Torres.





