Memórias edificadas · Sintra

Palácios de Sintra

A primeira referência ao Palácio Nacional de Sintra, no coração da vila, remonta ao século X, pela pena do geógrafo árabe Al-Bakrî que, a par da magnífica coleção de azulejaria mudéjar, comprova o domínio muçulmano em Sintra nos primeiros séculos da era cristã. As sucessivas reinterpretações da sua arquitetura acompanham a narrativa do país — da amplitude do gótico ao estilo marcado por D. Manuel I, das dinastias afonsina à de Bragança —, deixando estórias nos mais íntimos cantos das salas dos Cisnes, das Pegas, dos Brasões, dos Archeiros, dos Árabes, nas câmaras do Ouro e de D. Afonso VI, e na cozinha cujas enormes chaminés são o ex-líbris da vila. Já no cimo da serra, o Palácio Nacional da Pena nasce da recuperação das ruínas do Real Mosteiro de Nossa Senhora da Pena, reerguido no século XIX sob a batuta do "Rei-Artista" D. Fernando II e da engenharia do barão Wilhelm Ludwig von Eschwege, numa sublime união de referências neoclássica, romântica, manuelina e mourisca.

O romantismo da Pena prolonga-se no exterior, com a Cruz Alta, a Gruta do Monge, a Feteira da Rainha e o Vale dos Lagos, lugares mágicos enaltecidos pelas inúmeras espécies botânicas que tocam o jardim do Chalet d'Edla, inspirado no casario alpino e dedicado por D. Fernando a Elise Hensler — uma história de amor a conhecer. Ainda em plena serra, o Palácio de Monserrate é uma obra-prima do comerciante inglês Francis Cook, 1.º visconde de Monserrate desde 1846: um profundo bailado de influências góticas, mouriscas e indianas, do átrio octogonal à galeria central, da capela à biblioteca, prolongado nos jardins do parque, com o relvado a preguiçar pela encosta até ao roseiral, o icónico Jardim do México, a cascata atribuída ao viajante William Beckford e a inusitada ruína a visitar.

Palácios de Sintra — Sintra
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