Memórias edificadas · Mafra

Palácio Nacional de Mafra

É no coração da vila de Mafra que D. João V manda edificar esta faustosa obra, inaugurada a 22 de outubro de 1730, dia do seu aniversário. A construção do Palácio Nacional de Mafra, também conhecido por Real Convento de Mafra, assenta numa multiplicidade de materiais nobres — as pedras de Pêro Pinheiro e Montelavar e as madeiras vindas do Brasil — e numa lista de peças decorativas que inclui pinturas, 58 estátuas vindas de Itália e paramentos trazidos de Milão e de França. Entre as muitas dependências do convento, habitado pelos frades da Ordem de São Francisco, destaca-se a enfermaria setecentista do primeiro piso, forrada a azulejo, com camas viradas para o altar do fundo para que os enfermos assistissem à eucaristia, cozinha própria, botica e quarto para os enfermeiros. O paço real ocupa o último piso e a frente do palácio, com a Sala da Benção a separar o universo régio do mundo da corte, no centro de um corredor de 232 metros que une a ala do rei à ala da rainha.

A biblioteca é, por si só, imperdível: mais de uma centena de estantes guardam quarenta mil volumes, divididos por duas alas em torno do Cruzeiro — religião do lado norte, ciências e artes do lado sul —, todos catalogados em oito tomos. A monumentalidade comprova-se ainda nos dois magníficos carrilhões em bronze, dos maiores do mundo, fundidos em Liège e na Antuérpia, que somam noventa e oito sinos, e nos seis órgãos da basílica, construídos de raiz por importantes organeiros portugueses e que, de quando em vez, tocam em conjunto — momentos raros que fazem desta paragem uma experiência inigualável.

Palácio Nacional de Mafra — Mafra