Memórias edificadas · Alenquer

Convento de São Francisco

Os azulejos setecentistas do exterior da portaria do Convento de São Francisco, em Alenquer, representam a receção da infanta D. Sancha aos cinco mártires de Marrocos. Tudo começa em 1212, quando a filha de D. Sancho I, donatária desta vila às portas de Lisboa, abre as portas do seu paço real aos monges franciscanos da Ordem dos Frades Menores, fundada por São Francisco de Assis. Uma década mais tarde, D. Sancha funda o convento — a primeira obra construída em Portugal para esta comunidade. O crescimento do número de monges determina, em 1280, a edificação da Igreja de São Francisco, a mando de D. Beatriz de Gusmão, mulher de D. Afonso III, concluída no reinado do filho D. Dinis, no início do século XIV: um verdadeiro miradouro sobre a vila, reedificado com traço barroco após o terramoto de 1755.

No interior, o claustro renovado por D. Manuel I no século XV exibe arcadas de capitéis com motivos vegetalistas, espaço contemplativo ladeado pelo corredor onde o pórtico da Sala do Capítulo comprova o estilo manuelino. No lado oposto, o antigo refeitório dos frades, com enormes janelas e um painel de azulejos do século XVIII, convida a viajar por tempos longínquos. A escada para o primeiro piso termina junto ao oratório de D. Sancha, lugar de oração e silêncio, com particular ênfase na galeria em talha dourada e verde e no cadeiral de madeira. Aqui se comemoram, em silêncio, as Festas do Império do Divino Espírito Santo, solenidade indissociável do convento que assinalou os seus setecentos anos em 2020.

Convento de São Francisco — Alenquer
Convento de São Francisco — Alenquer
Convento de São Francisco — Alenquer
Convento de São Francisco — Alenquer