O sítio da Várzea da Pedra deve o nome à terra fértil e à rocha-mãe de onde brota a água da nascente. A quinta com o mesmo nome surge no mapa em 1910, graças a José Nunes Quintas, bisavô dos irmãos Tomás e Alberto Emídio; mas é do avô, José Nunes Quintas Júnior, que ambos herdam as memórias mais vivas — os momentos partilhados na casa erguida em 1937, a dois passos da adega, e nas demais edificações da mesma época, como a vacaria onde iam buscar leite para o pequeno-almoço.
Com a passagem direta para a quarta geração, representada pelos dois irmãos, a Quinta Várzea da Pedra ganha em 2015 um impulso renovado. Pouco depois, Tomás Emídio troca a profissão de designer gráfico pela de proprietário e adegueiro, responsável também pela comunicação e pela criação dos rótulos, inspirados nos azulejos da varanda da casa de família. Partilha o dia a dia com a cunhada Sónia Emídio e a gestão com o irmão Alberto.
O trabalho começa na vinha. Em 2010 planta-se a Vinha da Gafa, planeada pelo avô antes de falecer e ampliada para sete hectares em 2015; seguem-se a reconversão da Vinha da Fonte e da Vinha de Adão Lobo e, em 2020, a Vinha da Várzea e a Vinha do Cabeço. Preservada está a vinha velha junto à adega, com cepas de 1930 a 2010 e castas caídas em desuso — Vital, Seminário, Seara Nova, Alicante Branco. No total, catorze hectares, com predomínio da uva branca. Após seleção manual dos cachos, as uvas seguem para a adega, onde a intervenção nos vinhos — sobretudo D.O. Óbidos, desenhados com o enólogo Rodrigo Martins — tem vindo a diminuir, para deixar falar o perfil natural de cada casta. O objetivo é o equilíbrio entre a frescura e a acidez dos solos argilocalcários e a influência da tríade Atlântico, Serra de Montejunto e lagoa de Óbidos. Todos os vinhos estagiam cerca de doze meses em cuba e outros tantos em garrafa — a primeira colheita, de 2015, só chegou ao mercado em 2017.
“Cada vinho é a nossa emoção e honestidade. Cada garrafa tem a sua própria história, que procuramos transmitir a quem o bebe, com o sonho de que sejam contadas novas histórias.” — Tomás Emídio





