Quis o destino traçar um novo rumo às uvas de Moscatel Graúdo da Casa Agrícola Nicolau, fundada por Horácio Nicolau em Adão Lobo. Em vez de seguirem para as fruteiras dos lares do norte do país, estas uvas dão hoje origem a um Vinho Leve Lisboa fresco e aromático, registado em 2006, cujo rótulo faz justiça ao nome da parcela em que a vinha está plantada. A tradição da vinha e do vinho na família remonta, porém, a Joaquim Olegário Santos, sogro de Horácio, que lhe passou a missão da venda a granel de uma bebida apreciada desde a antiguidade. A esta atividade somou-se a produção agrícola, ambas sob a chancela da Casa Agrícola Nicolau, fundada em 1980.
A história do vinho aqui nasce quase por acaso. Em 2004, com o negócio do melão de vento em popa, Horácio Nicolau planta uva de mesa Moscatel Graúdo na fértil Várzea da Marquesa. A doçura da uva ficou aquém do esperado para venda à mesa, mas o aroma exuberante convenceu-o a avançar para vinho, na secular adega de traça antiga que a família comprara em 1990. Surge assim o Solar da Marquesa, nome registado em 2006 e inspirado na parcela de solo argiloso onde o nevoeiro matinal de influência marítima leva a casta a um ponto de maturação invulgarmente baixo.
O legado passa agora para a nova geração. Carlos Nicolau, formado em enologia pela Escola Superior Agrária de Santarém e com estágio na adega de André Lurton, em Bordéus, assina um branco da colheita de 2015 a partir de Arinto, ao qual junta um tinto de 2018. O irmão Nelson Nicolau supervisiona a vinha, que cresceu dos antigos quinze para trinta e cinco hectares e que fornece hoje setenta por cento do vinho branco Leve Lisboa da casa.
“O Solar da Marquesa foi um vinho que surgiu de um imprevisto e foi um sucesso, porque o microclima daqui permite que as uvas de Moscatel atinjam um ponto de maturação mais baixo do que noutras regiões.” — Carlos Nicolau





