A extensão de vinha que outrora preenchia a paisagem do concelho do Cadaval, e a abundância de uva e de vinho que daí resultava, tornaram quase inevitável a criação de uma adega comum. A Adega Cooperativa do Cadaval nasce em 1963 e conserva até hoje o seu edifício original, uma obra de engenharia arrojada de seis pisos cuja própria estrutura assenta sobre os depósitos de cimento. Concluída a empreitada em 1969, arranca a produção, reunindo centenas de viticultores do concelho, e erguem-se os balões de cimento que chegam a ocupar cerca de seis hectares dentro do perímetro da adega.
Nas suas primeiras décadas, a cooperativa vive ao ritmo das castas brancas: na década de 1970, a receção de uva chega a atingir os vinte e cinco milhões de quilos. A viragem do século traz outro paradigma. A procura crescente de tintos, a partir dos anos 1990, e o Programa Vitis de reconversão das vinhas — favorecido por um clima cada vez mais propício às castas tintas — obrigam a um investimento avultado em tegões, cubas de inox, filtros de vácuo e numa nova linha de engarrafamento.
Hoje, a adega trabalha um terroir de notável diversidade: cerca de 650 hectares de vinha dos associados estendem-se entre o mar e a serra. Algumas parcelas ficam a poucos quilómetros do Atlântico, outras já sentem o clima mediterrânico na linha de transição para a Serra de Montejunto. São condições generosas tanto para o Vinho Leve Lisboa, no portefólio da casa desde a segunda metade dos anos 1980, como para os espumantes — e foi precisamente daqui que saiu, da colheita de 2006 e a partir da casta Arinto, o primeiro espumante com Denominação de Origem Óbidos, fruto do trabalho do enólogo consultor José Pinto Gaspar, que partilha hoje a função com Rita Santos.
“A produção de Vinho Leve Lisboa é o nosso forte. É de destacar, também, o facto de termos lançado para o mercado o primeiro espumante com Denominação de Origem Óbidos, da colheita de 2006 e feito com a casta Arinto.” — Leopoldo Neves





