Reza a história que D. João II doou, em 1492, esta propriedade entre Vilar e Martim Joanes, no sopé da Serra de Montejunto, a D. Martinho de Noronha, mordomo-mor da Casa Real. Quatro séculos depois, a quinta pertencia a Maria do Carmo Romeira da Fonseca e ao marido, Joaquim José Fernandes, que mandam erguer a casa principal e demais construções; em 1854 a propriedade é gradeada, passando de casal a quinta — daí o nome Quinta do Gradil. Viúva, Maria do Carmo revela-se uma mulher determinada na agricultura e na vitivinicultura, somando uma avultada quantia com a colheita de 1864. À sua filha, casada com o 6.º marquês de Pombal, deve-se a continuidade da história, e do património salta à vista o Palácio dos Marqueses, local de veraneio, até meados do século XX, da família de Sebastião José de Carvalho e Melo.
Depois de passar por Sampaio de Oliveira, a Quinta do Gradil, de duzentos hectares, é comprada no final dos anos 1990 pelos netos de António Gomes Vieira, o mentor da tradição vínica na família. Conhecido por Ganita, deu o nome a uma colheita especial de 2015, criada em sua homenagem pelo neto e empresário Luís Vieira, à frente do negócio há duas décadas. A primeira intervenção foi na vinha — cento e vinte hectares em reestruturação gradual, com castas brancas e tintas em equilíbrio, escolhidas pela melhor adaptação às manhãs de nevoeiro, à influência do Atlântico e aos solos argilosos.
Na adega de traça antiga conviveram igualmente as transformações: aos antigos depósitos de cimento, distribuídos por três corredores, juntaram-se cubas de inox e equipamento moderno ao serviço de vinhos firmados na qualidade, atributo respeitado pela dupla de enólogos Tiago Correia (na equipa desde 2018) e António Ventura (em consultoria). Em maio de 2019, devidamente recuperados, o Palácio dos Marqueses de Pombal reabre o seu salão e a capela de Santa Rita de Cássia mostra a sua graciosidade — o momento certo para apresentar os novos rótulos que celebram setecentos anos de vindimas.
“Quando, há 20 anos, imbuído num sonho de família, a prioridade foi as vinhas e, no ano passado, recuperámos as origens da propriedade, valorizando a sua história. É chegado o momento de proporcionarmos uma experiência única de enoturismo de Lisboa, em Portugal.” — Luís Vieira





