É Manuel Francisco Ramilo quem, em 1937, em Alqueidão, dá início ao negócio vitivinícola da família. Planta vinha perto de casa e deixa o nome e a herança ao filho, que produz e envelhece o vinho na adega e guarda na vizinha Alvarinhos o vinho comprado aos lavradores. O neto, Belmiro Ramilo, ligado à construção civil, mantém o negócio mas, num jantar de família, desafia os filhos a dar-lhe continuidade. Nuno Ramilo aceita: faz uma pós-graduação em Wine Business e, em 2013, troca o gabinete de engenharia civil pela viticultura ao ar livre e pela feitura do vinho.
A vinha junto à casa de família, em Alqueidão, divide-se em dois patamares de cerca de meio hectare — um talhão do pai, outro do avô —, onde o Castelão é cuidado com zelo por Nuno Ramilo, grande defensor das castas autóctones. Com base nos registos do avô e nas recomendações de Virgílio Loureiro, enólogo e professor do Instituto Superior de Agronomia, dá primazia às variedades tradicionais, em especial à Vital. Em 2018 começa a trabalhar a terra em modo biológico e amplia a vinha para dez hectares: sete junto à casa e um nas imediações, em solos argilosos sob notória brisa marítima, e dois terços de uma propriedade da mãe, Filomena Ramilo, em Janas, na Região Demarcada de Colares, com Malvasia e Ramisco plantadas em chão de areia, como manda a cartilha. De cada uma destas castas nasce um vinho da colheita de 2016, estreia da Ramilo Wines apresentada no final de 2020.
À medida que decorre a vindima manual, as uvas seguem para a adega de Alqueidão — edifício de traça antiga e pequenas dimensões que, reabilitado, mantém a janela tradicional por onde os cachos entram para o lagar contíguo, onde ainda se faz a pisa a pé, casta a casta. Os vinhos são desenvolvidos pelo enólogo Jorge Mata, com consultoria de Virgílio Loureiro, e as provas decorrem na nova sala com vista para a paisagem rural da casa.
“Há quatro gerações que a família Ramilo se dedica ao vinho em Colares e Mafra, preservando e respeitando o património vitícola de uma das mais singulares regiões de vinho do mundo.” — Nuno Ramilo



