O edifício revestido a azulejos verdes destaca-se do casario no centro de Almoçageme, aldeia da freguesia de Colares. No topo, a data de 1808 assinala o ano da sua construção, a mando da família Gomes da Silva, que vende este legado, na década de 1920, a outra casa de vitivinicultores. Em pouco tempo, a propriedade passa para Victor Guedes, fundador de uma conhecida marca de azeite, que mantém a Adega Viúva Gomes fechada na sequência da Revolução de Abril de 1974 — situação que se prolonga até 1988, ano em que o edifício e todo o seu espólio são adquiridos pela empresa Jacinto Lopes Baeta, Filhos Lda.
Ligado ao comércio alimentar e de bebidas, Jacinto Lopes Baeta estabelece-se em Sintra com dois armazéns, um grossista e outro retalhista, onde também comercializa vinhos. O negócio prospera, mas é José Baeta, bisneto do proprietário, quem detém desde 2013 este património edificado e vínico, este último constituído por verdadeiras relíquias com mais de meio século. O armazém mantém a traça antiga — dos armários e do balcão à entrada até à sala de provas, onde se guardam vetustas alfaias agrícolas, imagens de outrora e fotografias antigas.
Do lado oposto está a adega. Nos tonéis recuperados por tanoeiros estagiam os vinhos produzidos em chão de areia, tradicionais da Região Demarcada de Colares. O equipamento de tecnologia de ponta serve as uvas de duas terras arrendadas a agricultores locais e as castas tintas e brancas dos três hectares de vinha própria, plantada em 2018 sobretudo em solos argilocalcários.
O trabalho na adega é supervisionado pelo enólogo Diogo Baeta, filho do atual proprietário e grande impulsionador da autenticidade dos vinhos de Colares, que preserva o legado da Denominação de Origem com a produção dos clássicos da região — ora cem por cento Malvasia, ora cem por cento Ramisco.
“Na Adega Viúva Gomes, trabalhamos com paixão, ingrediente também necessário, para além das características da Região, que proporcionam vinhos diferentes, pela proximidade das vinhas ao Oceano Atlântico.” — José Baeta



