A notoriedade do vinho de Colares intensifica-se no período pós-filoxera, quando surgem rumores de que parte da uva e do vinho proviria de fora da região. Face a esta realidade, António Brandão de Vasconcelos, a par de outras figuras e agricultores desta freguesia de Sintra, funda em 1931 a primeira adega cooperativa do país, a Adega Regional de Colares, da qual é o primeiro presidente. A missão é clara: preservar a vinha de pé-franco plantada em chão de areia e a cultura do vinho de Colares, e proteger os mais de quinhentos viticultores — passando a ser a única entidade autorizada a vinificar a uva da região.
Instalada no secular edifício, complementado no mesmo ano por um centro de vinificação, a adega vê a venda direta ao consumidor desincentivada, entre 1937 e 1985, pela Junta Nacional do Vinho, que rateia o vinho pelos poucos armazenistas detentores das marcas. Equipada com tecnologia moderna, mantém em atividade um par de cubas argelinas de cimento da década de 1970 — uma quadrada, outra redonda — recuperadas para, em 2020, servirem num ensaio com Ramisco de chão de areia conduzido por Francisco Figueiredo, na casa desde 1999 e enólogo desde 2005.
Experiências à parte, a fermentação das uvas de terreno arenoso, que dão origem aos vinhos de Denominação de Origem Colares, ocorre em cubas de inox. A Ramisco é habitualmente submetida a dois estágios — cerca de cinco anos em tonel, seguidos de doze meses em barrica —, enquanto a Malvasia estagia dois a três meses em barrica e depois três a quatro anos em garrafa. As castas colhidas em “chão rijo”, de solos argilosos, seguem processos distintos: as tintas fermentam e estagiam doze meses em tonel e meio ano em barrica; as brancas fermentam em inox e estagiam seis meses em barricas de segundo ano.
A imponente sala dos tonéis, em madeira originária do Brasil, ocupa o edifício mais antigo da cooperativa, presidida desde 2020 por José Vicente-Paulo. São sete dezenas destas enormes vasilhas de aduelas dispostas ao longo do corredor empedrado — o equivalente a setecentos mil litros —, mas poucas contêm vinho, devido à escassez de vinha em solo arenoso, registo que, lentamente, vai aumentando.
“Sendo a adega cooperativa mais antiga do país, foi em tempos a entidade certificadora. A nossa filosofia enológica assenta no imperativo respeito pelo terroir de Colares, dando continuidade ao trabalho dos nossos antepassados.” — José Vicente-Paulo



