Natural de Ribeira de Santarém, no concelho do Cartaxo, Hugo Mendes sonhava com uma carreira de investigação na área do cancro. Mas, ainda durante o curso de Engenharia Biotecnológica, em 2004, decide fazer um estágio de vindima para conhecer de perto este mundo pelo qual já nutria, enquanto enófilo, uma enorme curiosidade. A experiência muda-lhe o rumo. Na sua trajetória enológica contam-se a Quinta da Murta, em Bucelas, entre 2005 e 2019, a Quinta das Carrafouchas, em Santo Antão do Tojal, em 2008, e o Vale das Areias, no concelho de Alenquer, em 2014.
O ano de 2016 marca uma nova era: o começo oficial do seu projeto pessoal, uma espécie de laboratório para o qual elege a Região Demarcada dos Vinhos de Lisboa, por ser a que melhor domina. O objetivo é trabalhar as castas autóctones até ao limite e revelar o potencial de cada uma com intervenção quase nula na adega. A comercialização avança por crowdfunding, a seleção das castas é feita in loco — da escolha do talhão ao acompanhamento em campo — e a vinificação realiza-se na adega mais próxima da vinha.
“Quero sentir que tenha feito alguma coisa útil para a sociedade. Quero fazer vinhos diferentes e ter dinheiro para o fazer, para ajudar outros a começar e provocar outros produtores.” — Hugo Mendes
A estreia a solo faz-se com um lote das brancas Fernão Pires — predominante — e Arinto, da colheita de 2016. Nos dois anos seguintes, equilibra a quantidade das duas variedades e, em 2018, dá protagonismo às monovarietais de Fernão Pires e de Vital, esta última propositadamente enaltecida no universo da região. Em 2019, entra a Castelão — a primeira tinta do projeto — e um espumante a estagiar trinta e seis meses. Apaixonado por tudo o que faz, Hugo Mendes defende a inevitabilidade de ser sério ao fazer vinho, mesmo quando submete as castas a novas abordagens.





