No pátio, um relógio de sol em pedra, colocado no cimo de um dos edifícios da Quinta de Vale Mourisco, cumpre o seu compromisso de apresentar a hora exata e remonta ao tempo de Polydoro Dionísio dos Santos Reis. O bisavô de Amélia Zuzarte Reis deixou as terras ao filho e ao neto — respetivamente avô e pai da anfitriã e atual proprietária deste projeto vitivinícola de Meca.
Os laços afetivos de Amélia Zuzarte Reis a este legado de cento e cinquenta anos foram determinantes para, em 2003, assegurar a produção vínica e reestruturar a vinha de cinco hectares. Esta dispersa-se pelo Cabeço de Meca, no complexo vulcânico de Lisboa, a 279 metros de altitude, com orientação a noroeste e solos basálticos, mas também junto ao pinhal manso e na encosta do vale virada para a Serra de Montejunto — barreira natural que detém os ventos marítimos. Todas estas terras resultam de cedências e da herança do pai e da compra de terrenos a familiares.
“Os vinhos Quinta de Vale Mourisco narram a sua história secular, aliando tradição, inovação, terroir e meio ambiente, com o afeto do produtor e a sensibilidade artística do enólogo.” — Amélia Zuzarte Reis
Da vinha à adega
As castas tintas foram as primeiras a entrar na lista de preferências; as brancas plantaram-se em 2013. Um ano depois, reabilitou-se uma das casas, sob a qual está parte da adega igualmente recuperada, e, em 2016, Amélia Zuzarte Reis, o marido Paulo Figueiredo e o filho Nuno Figueiredo fundaram a marca Quinta de Vale Mourisco. Com formação em Gestão, Paulo Figueiredo concluíra entretanto, em 2010, o mestrado em Enologia no Instituto Superior Agrário de Lisboa.
A produção, feita a partir de uvas próprias, denota o apreço da proprietária: o primeiro vinho, da colheita de 2016, contou com a enologia de Luís André e, poucos meses depois, de Julião Batista. Desde então, a quinta expandiu-se com mais trinta e cinco hectares de vinha em Sarroeira, Cadafais, Soupo, Casal das Balas e na Quinta da Peça, nas freguesias de Alenquer e Carnota e na união de freguesias do Carregado e Cadafais, e adquiriu um armazém para instalar a nova adega — sem nunca retirar protagonismo à Quinta de Vale Mourisco.





