A primeira referência à Quinta de São Bartolomeu remete a um documento de 1578 e, desde então, a propriedade integra o património da família Cunha. Três séculos mais tarde, é D. José da Cunha, marquês de Olhão e conde de Castro Marim, quem a recebe por herança, já com a casa senhorial que remonta ao século XVIII. Nos anos de 1930, D. Pedro José da Cunha recompra a histórica quinta de nove hectares e recupera o edifício principal. O arco de estilo barroco, o portão de acesso à vinha de seis hectares e o espelho de água continuam, ainda hoje, a marcar a sua envolvente poética e frondosa. A produção de uva, sempre mantida, era vinificada na vizinha Quinta de D. Carlos até 1974, processo depois transferido para a Quinta de Pancas.
A tradição vitivinícola ditou, em 1992, a reestruturação da vinha com castas internacionais como a Cabernet Sauvignon e a Merlot. Em 1998 constitui-se a Sociedade Agrícola Cunha Folque, gestora da quinta, e José Folque, bisneto de D. José da Cunha, assume o rumo do negócio da família. Antes do virar do século, a compra de terrenos limítrofes amplia a propriedade para quatro dezenas de hectares, dos quais vinte e cinco de vinha.
“Os vinhos da Quinta de São Bartolomeu beneficiam do terroir do vale do rio Alenquer, que lhes confere as características pelas quais se distinguem — tintos de grande concentração, complexos e elegantes; brancos aromáticos e bem representativos das castas da região. Ambos apresentam uma acidez equilibrada que lhes confere um enorme potencial de evolução na garrafa.” — José Folque
Enologia e enoturismo
Após a venda da Quinta de Pancas, em 2006, a família Cunha Folque faz um interregno na vinificação, mas o ano seguinte revela-se próspero: José Folque vinifica a Cabernet Sauvignon e a Merlot na adega de uma propriedade vizinha, com resultados de qualidade. Face a estes, investe em 2008 no equipamento necessário à produção própria — aplicação de capital continuada ao longo do tempo — e, dois anos depois, o filho João Folque integra a equipa. As castas brancas vão conquistando espaço na vinha e no portefólio, e em 2021 a casa avança para o mercado com a sua primeira colheita tardia, pelas mãos dos enólogos Rui Lopes e José Rosa Santos, apostando fortemente no enoturismo.





