Situada em plena Serra de Montejunto, a Quinta do Convento de Nossa Senhora da Visitação preserva os seus jardins islâmicos, datados de finais do século X. No século XII, a propriedade pertence a famílias nobres e, trezentos anos mais tarde, acolhe uma comunidade de doze frades da Ordem Terceira de São Francisco, que ali permanecem até 1834, ano da extinção das ordens religiosas em Portugal.
O convento e a igreja são mandados erguer por Pedro de Noronha, filho de Gonçalo de Albuquerque, 6.º senhor de Vila Verde. O segundo convento data do século XVI e leva o cunho do arquiteto régio João Castilho; cem anos depois, a igreja é modificada por projeto de João Antunes e, no século seguinte, recebe o seu revestimento azulejar, com destaque para a obra de Valentim de Almeida sobre a vida de S. Francisco de Assis. Ao tempo resistem a sala do capítulo e uma enorme araucária dos Açores. Fora da antiga cerca conventual ficam o lago de São Francisco e a fonte do Leão, cujas águas o professor Charles Lepierre classificou de mineromedicinais no início do século XX, e a antiga Mata das Mulheres, com trilhos que conduzem às capelas de Santa Madalena, Santo Onofre e São Diogo.
“Em plena Serra de Montejunto, o singular terroir das vinhas da Quinta do Convento de Nossa Senhora da Visitação produz vinhos únicos e inimitáveis, equilibrados, elegantes e com alma profunda.” — Cristina Albuquerque
O renascer vínico
No século XIX surge Sebastião José de Carvalho, visconde de Chanceleiros, que adquire as vinhas da quinta. Em 1975, a propriedade é comprada por Josué Carvalho, que, dois anos depois, funda a Sociedade Agrícola Quinta do Convento da Visitação com a nora, Cristina de Albuquerque.
Os edifícios históricos são reabilitados segundo a traça original e implementa-se o turismo de habitação. Dos sessenta e cinco hectares de área total, são reestruturados, desde 2002, cerca de catorze hectares de vinha com castas portuguesas e internacionais, mantendo-se a tradição da apanha manual. A antiga adega é atualizada com novas tecnologias e a vinificação faz-se por casta, com o estágio em barrica a decorrer nas caves instaladas nos túneis que ligam a adega ao edifício fronteiro. A história inscreve-se até nos rótulos: alguns ostentam a flor de lis que bordeja o mármore do altar-mor da igreja; outros recuperam o esquisso do antigo convento, à semelhança dos vinhos aqui produzidos no início do século XX.





