Desenhador e caricaturista, Rafael Bordallo Pinheiro ia frequentemente a banhos a Caldas da Rainha. Fervoroso conhecedor das artes, aprofundou o seu domínio do fabrico de peças de faiança e, em 1884, fundou a sua própria Fábrica de Faianças das Caldas, no prolongamento do emblemático Parque D. Carlos I, onde instalou o seu chalet de cortiça. Sem deixar a movida lisboeta, reuniu nas Caldas homens e mulheres de competência comprovada no universo da cerâmica, a quem entregava os destinos de cada um dos seus desenhos, ao mesmo tempo que estudava exaustivamente os pigmentos e criava uma paleta imensa de tonalidades. Abriu a fábrica a artistas, disponibilizou os seus mestres para formar jovens e fomentou os cursos de modelador e de formista.
A sua aptidão artística levou-o a ser escolhido para decorar o Pavilhão de Portugal na Exposição Universal de Paris, em 1889, altura em que decidiu agigantar as suas peças, mandando construir fornos em tijolo de burro para o efeito. Homem visionário, de humor e criatividade ímpares, contribuiu grandemente para a evolução da faiança, transportando para os seus desenhos o movimento dos palcos da capital — sem esquecer a sátira social e política que deu origem a figuras como o memorável Zé Povinho e o seu gesto grotesco. Após o seu desaparecimento, em 1908, o filho Manuel Gustavo preservou o legado, que permanece vivo na Fábrica de Faiança Bordallo Pinheiro e na Casa Museu San Rafael.





