A supremacia do Vinho de Carcavelos surge no século XVIII, com a aposta do 1.º conde de Oeiras e marquês de Pombal, Sebastião José de Carvalho e Mello, na implantação da vinha na Quinta do Marquês de Pombal, em Oeiras. À semelhança da imensa propriedade, manda construir a adega, constituída por dez prensas de vara e por uma vasta área de vinificação e de estágio — referência nacional e internacional da época na produção de Carcavelos.
Duzentos anos depois, a extinção dos vinhedos provocada pelo alargamento do perímetro urbano e a iminente perda deste vinho emblemático levam a Câmara Municipal de Oeiras a avançar, na década de 1980, com um projeto de recuperação do património. O primeiro passo dá-se com o apoio de Estrela Carvalho, engenheira-técnica do Instituto Nacional de Investigação Agrária, através de uma pesquisa profunda sobre como retomar o legado. Estabelecido o protocolo entre a autarquia e o instituto, no final da mesma década inicia-se a replantação da vinha com as castas permitidas na certificação de Vinho de Carcavelos.
Já no século XXI, a produção deste vinho generoso ganha nova morada: a antiga abegoaria da Quinta do Marquês de Pombal, do século XVIII, que após restauro recebe o nome de Adega Casal da Manteiga. Constituída por duas alas que convergem na torre onde outrora esteve o pavilhão de caça do marquês, reserva o lado norte à vinificação das castas vindimadas à mão para o “Villa Oeiras”, marca criada em novembro de 2014, e a ala sul ao estágio em barrica. O estágio mais prolongado decorre na adega original do Palácio do Marquês de Pombal, a dois passos, restaurada para o efeito.
A adega situa-se junto aos sete hectares de vinha plantados em 2006 — número que sobe para treze em 2009 e para perto de vinte em 2021. Daqui se avista o mar, e nela se conjugam os fatores que conferem acidez e salinidade, doçura e secura ao Vinho de Carcavelos, atributos a comprovar nas provas do programa de enoturismo promovido pela Câmara Municipal de Oeiras.
“Estamos a trabalhar num projeto secular que não nasceu do zero: a ‘receita’ já existia. Estamos a fazer algo que seja o mais identificativo possível com os Vinhos de Carcavelos antigos.” — Alexandre Lisboa, coordenador de projeto
