A paisagem luxuriante, formada pela floresta de carvalhos, freixos, choupos, sobreiros e azinheiras e pelas pontes outrora construídas sobre o rio Trancão, torna a Quinta do Avelar um lugar idílico no coração de Bucelas. Antigo local de veraneio, tem ao centro a casa-mãe, do século XVIII, que pertenceu à família de João Camilo Alves, figura incontornável do vinho em Bucelas e amigo de Sérgio Geraldes Barba.
Considerada a maior propriedade de Loures, é comprada pela família Geraldes Barba em 1980. Nesse mesmo ano constitui-se a Sociedade Agro-Pecuária Quinta do Avelar, dedicada à criação de gado e de equídeos, mas também à cultura da vinha e do vinho. Constituídas pela tradicional mistura de variedades, parte das vinhas é submetida a um trabalho de precisão na sua reestruturação, enquanto outras dão lugar a prados para os animais. Mantém-se, porém, o respeito pelas castas brancas típicas da Região Demarcada de Bucelas — em média com três décadas — e pelas vinhas velhas de castas tintas, com cerca de oitenta anos, onde a intervenção é mínima e a vindima é manual.
A dedicação ao vinho branco, maioritariamente produzido a partir de Arinto, avança com a colheita de 1982, a primeira com o rótulo Quinta do Avelar e a classificação de Denominação de Origem Bucelas, engarrafada em linha de enchimento adquirida para o efeito. A referência tinta surge mais tarde, em 1986, igualmente engarrafada. Entretanto, pequenas propriedades vizinhas vão sendo integradas e, quatro décadas depois, a sociedade totaliza dezassete hectares de vinha, incluindo outra quinta em Bucelas, comprada em 1987.
A aposta da casa é o branco de Arinto, submetido a dez meses de estágio seguidos de quatro meses em garrafa. O trabalho na adega — instalada num armazém construído de raiz — assenta na tecnologia exigida nos dias de hoje: a vinificação é feita por casta e os lotes são decididos no final pelo enólogo Mário Andrade, igualmente defensor da preservação do vinho de Bucelas comme il faut.
“Porque o Arinto ganha muito com o passar do tempo, gostamos de fazer o processo de vinificação como antigamente.” — Nuno Geraldes Barba




