“Das Labres” ou “das Lebres” são designações que estão na origem de A-das-Lebres, o lugar onde se ergue esta antiga quinta de veraneio, inicialmente conhecida como Casa das Carrafouchas. Do património edificado guarda-se o registo da capela de 1714, erguida em homenagem a Nossa Senhora do Monte do Carmo, embora haja quem fale de uma outra igreja mais remota, do lado oposto da atual correnteza deste casario do período barroco. Merece destaque o painel de azulejos da varanda do solar, avistado do pátio privado, cujo pavimento revela, nos pormenores, o desvelo de então pelo belo.
Pertencente outrora ao marquês de Valada, a Quinta das Carrafouchas foi comprada em hasta pública em 1872 por Joaquim Franco Cannas. Desde essa época, os oito hectares da propriedade estão nas mãos da família de António Maria Cannas, que em 2000 organiza a estrutura ligada à vitivinicultura e inicia uma nova era, com a feitura de um vinho sério, ao gosto da família.
Defensor acérrimo das castas portuguesas, António Maria Cannas replanta vinhas novas, sobretudo de castas tintas. A enologia do primeiro vinho, de 2008, é partilhada por Nuno Cancela de Abreu e Hugo Mendes, e a partir da colheita de 2009 os vinhos passam a aguardar entre quatro a cinco anos até chegarem ao mercado. Ao fim de duas décadas, a quinta soma três hectares e meio de castas tintas e meio hectare de variedades brancas. Segundo o proprietário, o próprio blend está na vinha: a disparidade de solos, predominantemente franco-arenosos, é visível na espessura das videiras.
O valor atribuído à natureza estende-se à adega, onde a ação das leveduras indígenas e a intervenção mínima de Hugo Mendes são determinantes em vinhos onde predominam as referências tintas. Todas estão disponíveis para prova no âmbito dos programas de enoturismo, implementados em 2016, em que António Maria Cannas gosta de envolver quem o visita — sem perder a harmonização com o paté de lebre, receita da bisavó Maria Veneranda Cannas que ainda hoje executa com a irmã, Maria Veneranda Cannas.
“Pegar num vinho velho e explicar como foi em novo e como evoluiu é como aliar a sua história à história desta quinta, enaltecendo a vertente familiar desta propriedade vinhateira.” — António Maria Cannas




