Bucelas foi o lugar das férias de veraneio na infância de António João Paneiro Pinto, bisneto de António Joaquim Pinto Júnior e de João Camilo Alves, duas figuras ilustres do vinho desta freguesia do concelho de Loures. Desse tempo guarda a memória do vinho como assunto de conversa séria à mesa — herança afetiva que o haveria de prender, anos mais tarde, a esta terra. Quando, na década de 1980, recebe por herança a propriedade vinhateira do Chão do Prado, começa de imediato a reestruturar as vinhas, apostando nas três variedades autorizadas na Denominação de Origem Bucelas: Arinto, Esgana-Cão e Rabo de Ovelha.
Depois de reestruturados e replantados sete hectares, decide iniciar a produção vínica na antiga adega do bisavô João Camilo Alves, no coração de Bucelas. A lembrança dos espumantes de outrora leva-o a um gesto pioneiro: em 1993, espumantiza parte do vinho feito com Arinto. O ato traz reconhecimento à adega e contribui para que Bucelas seja demarcada como região de vinho espumante em 1999. As vinhas vão crescendo — com plantações significativas em 1995 e 1997 — até somarem oito hectares de solos calcários, orientados a norte e a sul e marcados por uma peculiar influência marítima.
Defensor convicto do meio ambiente, António João Paneiro Pinto mantém as vinhas em Proteção Integrada, sob controlo da Associação de Viticultores de Alenquer, e, na vindima de 2020, converte toda a exploração para o modo de produção biológico. Em 1998 ergue a adega no próprio Chão do Prado, a tempo de receber a colheita desse ano, e, em 2001, lança-se num novo desafio: a primeira colheita tardia de Bucelas, feita maioritariamente a partir de Arinto. Com o branco e o espumante, completa-se o portefólio da casa.
As três referências podem provar-se no restaurante Chão do Prado, do outro lado da rua, no sítio de Chão da Godinha. Inaugurado em 2004 por ocasião da Festa do Vinho e das Vindimas de Bucelas, o espaço oferece uma vista privilegiada sobre parte das vinhas da família — as de António João Paneiro Pinto e as dos filhos, Duarte e Leonor, a geração que dá continuidade a este legado.
“Quando tomei conta desta propriedade, fiz um lote de vinho que mandei para a Bairrada para ser espumantizado lá. Foi essa a origem do espumante Chão do Prado.” — António João Paneiro Pinto




