Com forte influência do Oceano Atlântico, os vinhos de Lisboa encantam pela diversidade e frescor. A embaixadora da região no Brasil, a sommelière Elaine de Oliveira, e o vice-presidente da CVR Lisboa, Carlos João Pereira da Fonseca, apresentam a região numa degustação no Rio — da assinatura atlântica dos brancos ao raro fortificado de Carcavelos — e o blog Saideira fecha com uma lista de rótulos para provar.
O Atlântico como assinatura
Numa degustação da Comissão Vitivinícola Regional de Lisboa (CVRL) no Rio de Janeiro, a sommelière Elaine de Oliveira — embaixadora dos Vinhos de Lisboa no Brasil — resume o que torna a região única: o encontro entre o oceano e as serras.
“Essa região é especial e diversa. Ela é um encontro. De um lado, tem o Atlântico, do outro lado, as serras que protegem toda essa região, e no meio, as vinhas, que são centenárias. Estão ali desde os tempos dos romanos. (…) Talvez não tenha o estilo, mas tem uma assinatura, que é o Atlântico. Ele influencia todas as nove sub-regiões.” — Elaine de Oliveira
A cordilheira que percorre a região de norte a sul — com serras como a do Montejunto, da Archeira e de Sintra — molda o clima: os relevos e vales recebem a brisa do oceano, e os ventos atlânticos trazem a humidade e a salinidade que marcam os vinhedos. É essa frescura que define os brancos da Região Demarcada.
Elaine destaca ainda um tesouro pouco conhecido, o fortificado da denominação Carcavelos:
“O Carcavelos é um dos vinhos mais especiais de Portugal. É um vinho fortificado, como o vinho do Porto, da Madeira ou o Moscatel de Setúbal. É uma experiência, um vinho de contemplação. Eu digo que não quero que acabe, bebo bem devagar para aproveitar cada momento.” — Elaine de Oliveira
Uma região líder na exportação
Em visita ao Rio, Carlos João Pereira da Fonseca, vice-presidente da comissão, lembra que, apesar de produzir vinhos há séculos, a região ainda é pouco conhecida em alguns mercados — mesmo sendo das que mais exportam de Portugal e das que mais vendem para o Brasil.
“Somos líderes em mercados complicados e muito difíceis de entrar, como da Escandinávia — Suécia, Finlândia e Noruega —, Canadá e Estados Unidos. Viemos ao Brasil para buscar maior reconhecimento aos nossos vinhos.” — Carlos João Pereira da Fonseca
Ele sublinha a diversidade traduzida nas nove denominações de origem, uma opção dos produtores: cerca de 20 mil hectares de vinhas certificadas e uma produção anual de 70 milhões de garrafas, das quais aproximadamente 80% seguem para o mercado externo.
Dicas de rótulos da região
O blog Saideira fecha a reportagem com uma seleção de rótulos das sub-regiões de Lisboa para provar:
Espumantes
- Berbereta Arinto & Chardonnay — Arinto e Chardonnay, de Óbidos
- Pét-Nat Pim Pam Pum — Fernão Pires, de Encostas d’Aire
- Pét-Nat Pim Pam Pum Curtimenta — Fernão Pires, de Encostas d’Aire
- Espumante Quinta do Rol Chardonnay — Chardonnay, de Lourinhã
Brancos
- Adega Mãe Terroir — Viosinho e Arinto, de Torres Vedras
- Carlota Imperatriz Reserva Arinto — Arinto, de Alenquer
- Mare et Corvus — Malvasia, Fernão Pires e Chardonnay, de Colares
- Quinta das Cerejeiras Grande Reserva — Chardonnay, Arinto e Vital, de Óbidos
- Página Sauvignon Blanc — Sauvignon Blanc, de Óbidos
- Colares Chitas Malvasia — Malvasia, de Colares
- Ramilo Colares Borras — Malvasia, de Colares
Tintos
- Adega Mãe Castelão — Castelão, de Torres Vedras
- Quinta de Azueira VG Vingrand 2019 — Castelão, Touriga Nacional e Aragonez, de Torres Vedras
- Marco Velho Premium 2015 — Castelão, Aragonez e Syrah, de Torres Vedras
- Quinta do Sanguinhal Grande Escolha — de Óbidos
Fortificados
- Carcavelos Villa Oeiras Tinto — Castelão e Trincadeira, de Carcavelos
- Carcavelos Villa Oeiras Superior — Arinto, Galego Dourado e Ratinho, de Carcavelos
Reportagem original: Vinhos de Lisboa: frescor e influência do Atlântico marcam rótulos da região portuguesa; veja dicas por Cláudia Meneses, no blog Saideira do O Globo (12 de junho de 2026). Fotos de Mit Inomata / Divulgação.